xoves, 22 de outubro de 2015

Carta a Xurxo

Diario de un corto (Flavia de la Fuente, 2015)

Xurxo querido,

Es difícil escribir después de recibir una carta tan bella como la que me enviaste. Me emocionó tanto que me dio un bloqueo parecido al que me produjo el encargo del Diario de un corto. Así que debería ahora escribir el “Diario de una carta”, que empieza así.

21 de octubre

Ni una idea asomó por mi cabeza. Solo atiné a mirar una y otra vez tu postal de Gran Hotel y tu texto y quedar muda.

22 de octubre

Decidida a cumplir con mi deber, nadé 15 minutos en el mar, rogándole a Neptuno que me diera coraje. Y creo que un poco me lo dio. Él nunca me falla.

Como bien decís, los dos estamos solos, vos en el medio del Atlántico, y yo en el borde, pero también muy sola, en un pueblo donde no hay nada de nada. Por eso, todo este año tu compañía tanto en Las Palmas como por e-mail fue un impulso fundamental para mí. Si no hubiera visto Gran Hotel, no sé qué habría pasado con mi película. El ímpetu creador que irradian tu correspondencia y tu cine es maravilloso. Cada carta que me enviaste venía no solo con ayudas técnicas sino con muestras de tu pasión por filmar, que se hace contagiosa y me ayudaba a salir de casa corriendo a trabajar.

Me encanta la idea de que den nuestras películas juntas, porque la mía se pudo hacer gracias al empujón que me diste con Gran Hotel. Y también gracias a la nueva cámara que me acompañaste a comprar en Las Palmas, y me enseñaste a usar por correspondencia.

¿Cómo era la vida sin Xurxo?, me pregunto después de este año de intensa relación epistolar. Era mucho más solitaria y triste.

Y ahora que Martin Pawley me aceptó como cineasta gallega, me siento aun mucho mejor. No saben lo bien que me hace pertenecer a ese grupo. No sé si se dan cuenta, pero ustedes tienen un desinterés y una alegría por el cine que no encuentro en la Argentina. Para ustedes, el cine no es un trabajo sino una aventura. No hablan de dinero, solo van y lo hacen. De este lado del océano esto no se ve con frecuencia. Es más, a muy poca gente le interesan las películas que no cuestan dinero.

Como esto es un diario, les cuento que ahora va a venir Quintín a leer esta carta y le va a parecer muy larga y farragosa. Pero, como muchas cosas en la vida, entre los dos, la mejoraremos y te la enviaré hoy mismo con todo el cariño y agradecimiento del mundo.

22 de octubre, un poco más tarde

Quintín leyó la carta y no le pareció farragosa, pero sí larga. Como siempre, se asombró de que escriba tanto en tan poco tiempo. Lo que no sabe, aunque después de 30 años de matrimonio debería intuirlo, es que desde hace dos días solo pienso en esto.

Cariños y todo mi agradecimiento desde San Clemente,

Flavia

mércores, 21 de outubro de 2015

Carta a Flavia

Gran Hotel (Xurxo Chirro, 2015)

Queridísima Flavia:

Soy un afortunado por hacerme confidente de tus inquietudes y búsquedas cinematográficas. La verdad es que me identifico mucho con tu trabajo, creo que pertenecemos a una misma estirpe. Algunos la denominan como "amateur" pero el calificativo no me incomoda porque creo que nuestra mayor plusvalía es el amor con el que hacemos las cosas.

Ahora estoy en medio del Atlántico pero no me hace falta subir a ningún volcán para verte. Siempre estarás ahí, siempre presente, como la silueta del Gran Hotel.

Saudade.

Xurxo Chirro

* * * * *

Nota: Diario de un corto de Flavia de la Fuente foi o filme inaugural do FIC Valdivia 2015 e verase nuns días en Mar del Plata, onde terá lugar a estrea mundial de Gran Hotel de Xurxo Chirro. As dúas curtas irán da man en novembro en Cineuropa.

sábado, 17 de outubro de 2015

mércores, 14 de outubro de 2015

Um Dia Normal: entrevista a Sérgio B. Gomes

Hai meses saudamos con entusiasmo a publicación no sitio web do xornal Público do filme de 24 horas Um Dia Normal, que neste blog consideramos unha das propostas audiovisuais máis estimulantes de 2015. Conversamos hoxe co coordinador do proxecto, Sérgio B. Gomes, sobre a xénese e posta en marcha do mesmo.

No marco do obxectivo xeral de celebrar o 25º aniversario do xornal, como xorde o proxecto?
O planeamento da edição de aniversário do jornal foi lento e complicado. Era uma edição ambiciosa porque marcava, em primeiro lugar, um quarto de século de existência de um jornal em papel. Durante as eufóricas e confusas reuniões de brainstorming para esse momento, dia 5 de Março, houve várias sugestões para trabalhos online, mas quase sempre em complemento com os trabalhos que foram sendo pensados para a edição em papel. No Público Online não gostamos de andar a reboque de nada. Nem ficar dependentes das contingências de outros suportes. De maneira que, mal saímos da última reunião comecei a pensar em voz alta ao lado da directora, Bárbara Reis, e de um dos editores online, Hugo Daniel Sousa. Estava a pensar na palavra “tempo” e naquilo que poderia ser diferente (muito diferente) do que estamos habituados a ver online. Percebi que tinha de ser um trabalho de vídeo, porque o tempo aí não seria meramente descritivo (ou descrito) como aconteceria com a palavra numa reportagem de texto. O tempo é a natureza da imagem em movimento, é um factor determinante e omnipresente – um minuto é um tempo perfeito.
Começamos a falar em 12 reportagens vídeo, depois em 24, tantas quantas horas tem um dia. Mas pareceu-nos tudo deja vú, antiquado, ultrapassado. E perguntei: e se fizéssemos um vídeo por cada minuto de um dia? Quantos minutos tem um dia? 1440. Estávamos a um mês da edição. A Bárbara e o Hugo acharam a ideia uma bocado louca, impossível de pôr em prática por causa do tempo disponível. Tínhamos um mês para concretizar tudo. Achei possível e consultei a equipa Multimédia (webdesigners/developers, IT, vídeo). Não sei se pelo meu entusiasmo ou pela ideia muito ambiciosa, o certo é que todos disseram que sim, que era possível. Foi assim. E começámos logo a trabalhar.

Tivestes algún referente para definir o proxecto, tanto no seu deseño conceptual coma na súa presentación web final? Nos últimos anos acadaron un gran eco propostas tan diferentes entre si coma o The Clock de Christian Marclay ou as 24 Hours of Happy de Pharrell Williams...
Uma das iniciativas para comemorar os 25 anos do Público foi justamente trazer a Lisboa a peça de The Clock, de Marclay (esteve em exposição no Museu Colecção Berardo), mas confesso que na altura em que discutimos esta ideia eu nem sabia da existência desta obra. Conhecia o 24 Hours of Happy, de Pharrell Williams. Não pensei nele nas primeiras conversas sobre a ideia de Um Dia Normal. Mas depois, naturalmente, fomos tentar perceber como tinham resolvido uma série de questões técnicas que entretanto se  levantaram (peso do vídeo, navegação de umas horas para outras, qualidade da imagem...). Em termos conceptuais (ou editoriais, para ser mais rigoroso) não tivémos nenhum referente directo. No área do jornalismo - considero Um Dia Normal um trabalho de jornalismo, uma reportagem visual - não conheço nada semelhante.

Que prazos de tempo se manexaron para o deseño, desenvolvemento e finalización do “filme”?
Tivemos um mês para tudo – pensar, produzir, gravar vídeo e áudio, editar, cortar, montar, desenvolver, testar, implementar.

Como foi a produción e a gravación? Que pautas se seguiron para a gravación das imaxes?
Tentámos uma produção organizada nos primeiros quinze dias, mas depois mergulhámos no caos e percebemos que não teríamos tempo para controlar tudo. E por isso, aceitámos o improviso, a sensibilidade de cada um e a capacidade de encontrar momentos que encaixassem na nossa ideia de partida. Tínhamos uma equipa de vídeo de três pessoas (comigo a coordenar) a trabalhar em permanência na gravação um pouco por todo o país (cada saída para uma região podia durar no máximo três dias). À medida que fomos avançando, foram-se juntando outras pessoas individualmente (no Porto, nos Açores, em Lisboa...). Pedi que os planos fossem fixos e com som directo, que as cenas tivessem o máximo de genuidade. Tratava-se de olhar para o que nos rodeia e captar a marca do quotidiano. Mesmo os brutos deviam ser criteriosos (não filmar uma hora para escolher um minuto). Não tivemos uma preocupação de representatividade ou de quotas (de região, de profissões, de idades...). Aliás, qualquer pretensão deste tipo seria utópica. É impossível reproduzir visualmente todo o quotidiano, todo um país ou toda a geografia... Termos interiorizado uma série de impossibilidades deu-nos força para encontrar as possibilidades.

Entre os minutos deste “día normal” atopamos formas e actitudes moi diversas. Que criterios seguistes para “contar Portugal en 24 horas”?
Os exercícios unificadores num trabalho com esta magnitude e com o tempo que tivemos eram difíceis de concretizar. Tentámos alguns, mas não foram postos em prática. O que tentámos foi trazer notas visuais de reportagem, que podiam não ser necessariamente imagens chocantes, impactantes, noticiosas ou extraodinárias (o objectivo de partida era contrariar um pouco isto). Tentámos, acima de tudo, olhar para o que nos rodeia com o objectivo de retirar daí alguma marca de quotidiano de uma sociedade e de um país que se chama Portugal. A maior parte das pessoas que trabalharam ou contribuíram para Um Dia Normal eram jornalistas, mas houve pessoas com outras formações ou actividades (realizadores de cinema, documentaristas, webdesigners, infografistas, artistas...). Este facto fez com que as abordagens não fossem todas puramente jornalísticas ou mesmo, em alguns casos, puramente documentais. Temos, inclusive, imagens dos arquivos de alguns dos autores porque pensamos que essas imagens, o que guardamos, são parte importante da cultura visual em que estamos mergulhados.

Planos fixos de 1 minuto... a proposta entronca co documental-experimental contemporáneo, mesmo co cinema contemplativo. Houbo algún referente para a definición deses planos?
O jornalismo tem muito que aprender com a arte no campo da eficácia da mensagem ou mesmo na postura criativa. As regras com que se faz jornalismo são extraordinariamente dogmáticas e são raríssimos os exemplos de quem tenta abordagens alternativas para chegar à audiência. Como é evidente, os objectivos do jornalismo não passam exclusivamente por chegar a uma audiência (seja grande ou pequena), mas se os jornais não forem maleáveis e criativos, como poderão adaptar-se aos tempos revolucionários que vivemos com suportes, plataformas e formatos a mudarem todos os dias? No Público temos uma liberdade também cada vez mais rara que é a de pensar em voz alta. E uma vontade de experimentar (novos formatos, novas abordagens, novos suportes, novas maneiras de contar...). Um Dia Normal foi uma proposta radical e experimental (conceptual e editorialmente), que só avançou porque existe uma grande abertura de quem dirige o jornal em tentar abordagens diferentes da realidade ou da maneira de contar a realidade.
No campo do vídeo online há muito por fazer e parece-me que estamos muito presos à cultura visual e aos modos de produzir vídeo para televisão.
Os planos fixos pressupõem a ideia de um olhar atento, para dele retirar alguma coisa, uma nota de realidade, ou a evocação de uma ideia, de um traço. Um minuto é tempo suficiente (às vezes até demasiado) para, através da imagem vídeo em ambiente de ecrã online, olharmos atentamente. Esta estratégia formal pareceu-nos a mais próxima do que poderiam ser notas de reportagem num caderno (as comparações com a palavra e o papel estão sempre na nossa cabeça!), que lidam necessariamente com a observação da realidade e onde cabem a mais pura contemplação (da paisagem, do rosto, da geometria), a descrição (uma ferramenta essencial do jornalismo), a curiosidade e até um lado de memória e arquivo.
Conheço algum do trabalho de Sharon Lockhart (que aprecio muito), nomeadamente o projecto Pine Flat, que esteve no Museu do Chiado em Lisboa em 2007, e o vídeo Lunch Break (2008). Mas não houve nenhuma influência directa ao seu modo de conceptualizar a realidade.
Diria que a maior influência na definição de um rumo formal para Um Dia Normal terá sido o documentário vídeo na sua forma (e atitude) geralmente crua (despida de artifícios) de encarar a realidade.

Como foi a edición? Hai motivos, temas, lugares e personaxes que se repiten. Parece clara a intención de dotar o proxecto de certa narratividade.
Houve vários tipos de abordagens na edição. Em muitos casos, quem captava editava o seu próprio material. Este método resultava bem porque tornava mais rápida a escolha do “melhor minuto” em cada plano. Apenas uma pessoa impôs como regra gravar apenas um minuto por plano. Aqui, o único trabalho de edição era o da escolha do momento e o conteúdo do que gravar entre a realidade disponível, como se tratasse de uma edição anterior à captura de imagem e som.
Mas à medida que fomos avançando na junção das peças do puzzle, percebemos que havia vários planos da mesma cena que representavam um mínimo de estrutura narrativa e que podiam servir para pontuar todo o objecto com algo a que se pode chamar de avanço na história ou de visão de diferentes pontos de vista da mesma cena/ambiente. A inclusão destes momentos foi um dos aspectos mais discutidos entre a equipa. Havia quem estivesse contra por ser uma estratégia mais usada na ficção e havia quem estivesse a favor por ser uma forma de estimular a permanência no vídeo criando expectativa.

En todo documental hai trampas. Cales son as trampas confesábeis de Um Dia Normal?
Diria que as principais “armadilhas” são alguns vídeos autoreferenciais (do que estava à nossa volta - no trabalho, em casa), que o espectador dificilmente notará, e alguns vídeos onde existe um lado de encenação (os que foram feitos por um realizador de cinema). Há ainda planos onde a passagem do tempo é sublinhada (como se fosse hiper-realizada) através de planos de relógios, ampulhetas ou contagens decrescentes. Para além disso, não temos grandes armadilhas. Mas posso confessar também uma piada, também autoreferencial, que é o vídeo das 05h59, um plano de uma pesquisa no Google por “Empire Andy Warhol YouTube” que depois mostra parte do longuíssimo plano-sequência em câmara-lenta (8 horas e 5 minutos) que Warhol fez da torre do Empire State Building. Rimo-nos muito depois de termos filmado esse plano. Aconteceu numa altura em que havia na equipa um misto de desespero e profundo cansaço. Serviu para aliviar alguma tensão.

Um Dia Normal é un mosaico de microhistorias que compoñen un relato de Portugal a escala “macro”. A suma de feitos mínimos, anónimos, aparentemente banais, define o presente dun país. O filme non fala só de Portugal, senón de como se constrúe a historia (ou “unha historia”), minuto a minuto.
Tenho dúvidas de que algum dia um objecto vídeográfico e jornalístico-experimental como este sirva de referente para alguma coisa que esteja relacionada com história, no sentido mais académico da palavra. A partir de factos (depoimentos/testemunhos) o jornalismo tende a organizar as ideias ou as notas de uma reportagem numa linguagem facilmente compreensível e reconhecível. Um Dia Normal comete o “pecado” de olhar para o todo de uma maneira desorganizada e mais ou menos caótica e de o apresentar dessa forma, sem qualquer hierarquia e ao sabor dos gostos e dos interesses dos seus autores. É uma estratégia que parece contrariar as regras. E desta maneira a sua mais-valia fica talvez apenas ligada ao seu valor enquanto documento visual de um tempo, de 1440 pequenos tempos, que juntos representarão pouco mais do que “um grão de areia que desliza na história”. É uma estética da imagem baseada no documentarismo que procura o quotidiano, os “pequenos-nadas”. Esta abordagem não exclui a plasticidade, não para revelar ou procurar o belo mas para ajudar descrever o real, ou aquilo a que Jacques Prévert chamou “a beleza do sinistro”.

Parte da espectacularidade de Um Dia Normal radica en ser unha obra imposíbel de atinxir. Mesmo para o espectador que sexa capaz de ver, pouco a pouco, as 24 horas do filme, a sensación que prevalece é a de “mosaico mutante”, a cada minuto séguelle outro diferente. Ás veces desexaríamos ficar máis tempo contemplando unha imaxe, mais é substituída por outra, a seguinte. É unha maneira de facer explícito que “non podemos estar en todas partes ao mesmo tempo”. As imaxes “escápannos” e con elas lugares e xentes: por cada imaxe nova que vemos hai unha imaxe anterior que deixamos de ver. Fai pensar nos noticiarios dos Lumiere, as imaxes que descubrían o mundo ante os ollos dos primeiros espectadores de cinema.
A imagem tornou-se num dos grandes vícios das sociedades contemporâneas. A sua presença é endémica e vivemos num tempo em que a sua falta provoca ansiedade, stress, má-disposição e arrepios na espinha (queremos ver tudo, a todo o momento). Boa parte dos grandes negócios da internet, para falar apenas dos últimos dez anos, residem na partilha de imagens e no seu usufruto omnipresente e instantâneo (Facebook, YouTube, Instagram, Pinterest, Vine, Snapchat...). Quando decidimos partir para esta aventura, sabíamos que não podíamos abraçar o mundo. Sabíamos que não podíamos representar a totalidade do que quer que fosse. A limitação (no seu sentido mais lato) acabou por tornar-se um dos motores do trabalho. E a limitação do tempo de cada plano acabou por ser um dos exercícios mais estimulantes no momento do corte de planos e da montagem das 24 horas. Às vezes, o exercício era cortar o plano no seu momento mais alto, no seu mais estimulante ponto de vista (visual ou de conteúdo). Também tivemos sempre presente essa ideia de que o trabalho só iria ser absorvido parcialmente, aos bocados, de uma maneira errática ou “batoteira” (navegando através das setas de avançar ou recuar).
Mas até esse lado é interessante porque o trabalho se revelou linear, não assentando numa pirâmide (invertida ou não) de hierarquias definidas por leads, punchlines ou outra qualquer estratégia de construção narrativa – e quem acabou por determinar mais o que mostrar foi o momento do dia a que cada plano se refere: amanhecer, manhã, meio-dia, tarde, anoitecer, noite. Isto quer dizer, que qualquer momento pode ser um bom momento para entrar.
Por outro lado, a enorme quantidade de imagens de Um Dia Normal pressuporia sempre um lado descartável e rápido no momento do seu consumo. A pena pelo que acabou e a expectativa pelo que se segue é uma das forças deste objecto videográfico que, à sua maneira, acaba por ser viciante.

Um Dia Normal dá protagonismo ao individuo, a comunidade, os espazos e persoas que non soen aparecer nos medios. É unha proposta coral de xeografía humana que choca cun contexto actual onde todo fica sepultado aos grandes intereses (económicos, políticos). Cal é a lectura socio-política do filme?
Quisemos fugir a qualquer panfleto reivindicativo de identidade (nacional ou outra). Partimos de perguntas (infantis?) como: Se olharmos à nossa volta o que vemos? Entre o que vemos, o que pode representar o quotidiano, a passagem do tempo? O que pode representar um dia normal? Que pessoas e paisagens são representativas desse movimento dos dias?
Quisemos fugir também aquilo a que se convencionou chamar de “o país real” (muitas vezes retratado com clichés de país pobre, iletrado, tacanho...).
Quisemos fugir de uma manifestação marcadamente política  (aceitando, naturalmente, que tudo o que fazemos pode ter leituras políticas).
Mas, sim, procurámos o indivíduo e o individual, sem a preocupação de lhes dar aura ou espectacularidade .
Mais uma vez, tenho dúvidas de que se possa retirar deste Dia Normal algo de académico ou de historicamente muito relevante. Mas ao olhar agora para o resultado final, consigo encontrar traços que nos revelam e que nos projectam enquanto país e enquanto sociedade. São traços singelos, mas suficientemente perceptíveis para quem ficar atento.

O proxecto defende e explora a diversidade e a pluralidade de miradas que se opón á crecente parcialidade, dependencia e instrumentalización política que padecen os medios de comunicación. É Un Dia Normal, tamén, unha defensa/reivindicación do bo xornalismo?
Absolutamente!

Entrevista realizada por Xurxo González e Martin Pawley. Obrigadíssimo, Sérgio!

mércores, 16 de setembro de 2015

Mentres exista o canto dos paxaros

Calquera achegamento a As Mil e Uma Noites empeza polo asombro ante a súa natureza colosal, a súa condición de proxecto extraordinario. Extraordinario por dimensión e por intención, a de establecer un retrato dun país, Portugal, cruelmente azoutado polo exercicio austericida dun goberno que bailou ao son único da apocalíptica Troika, entidade que tamén é singular e tripla, coma o filme de Gomes, mais infinitamente menos amorosa. A crise, palabra maldita que deveu comodín oco para xustificar calquera cousa, merecía un acto artístico de rebelión. Fíxoo un xenial cineasta portugués en forma de eloxio da narración e da palabra, de voces e de acentos que fían unha morea de historias, grandes e pequenas, transcendentes e banais, que nacen unhas doutras e van e volven para relatar este mundo e este tempo. Para facer relato hoxe e para que se lembre no futuro: isto era así e había que contalo, dunha forma nova, imperecedoira e inesgotábel.

As Mil e Uma Noites é, si, un filme político, aínda que non militante, ou polo menos non no sentido tradicional. Non é unha obra repleta de certezas, disposta a sinalarnos un camiño recto -ou máis ben “o” camiño-; antes polo contrario, prefire navegar ao desvío e explorar outras derrotas para coñecer mellor o rumbo. A prensa diaria foi unha perfecta guía para a viaxe. Durante máis dun ano un equipo de xornalistas -María José Oliveira, Rita Ferreira e João de Almeida Dias, xusto é citar os seus nomes e aplaudir o seu espléndido traballo- escrutou as noticias para localizar boas historias portuguesas. Foron ao encontro de personaxes que non sempre atopan sitio nos medios xeneralistas, puxéronlle cara ao desemprego, a precariedade e o sufrimento ao longo de ducias de entrevistas, investigaron toda sorte de feitos curiosos, reveladores do estado dun país máis aló das grandes cifras. Fixeron, en suma, xornalismo do bo, ese que infelizmente xa non é tan común, para alimentar un sitio web memorábel -enriquecido polas ilustracións de Tiago Manuel- e con iso suxerir contidos para os relatos dunha Xerazade do século XXI. Relatos que nacen da “realidade” e converte en ficción o chamado “Comité Central”, composto por Miguel Gomes, a guionista e actriz Mariana Ricardo, o asistente de realización Bruno Lourenço e o montador Telmo Churro. E é unha ficción libérrima, que asume sen medo a necesidade da imaxinación para entender o mundo en que vivimos. Válese da fábula e xoga ás veces co absurdo coa mesma enerxía e convicción coa que escapa da crueldade, que esquiva mesmo no seu episodio máis satírico. Aquí non hai espazo para o sadismo. A máis terríbel das historias pode contarse con elegancia, con compaixón e pudor. Non é un acto de caridade, é só xustiza. Xustiza e cariño.

As Mil e Uma Noites é un filme en tres volumes. Mais o verdadeiro filme, é importante que isto quede claro, é o que ordena o espectador na súa cabeza unha vez que experimentou as tres entregas en que se presenta. A primeira delas, O Inquieto, é a que propón máis rexistros diferentes, a máis mutante, a máis electrizante. O Desolado, a segunda, é a máis canónicamente ficcional, tamén a máis amarga e desesperada, aínda a pesar de Dixie, o can transmisor de alegría que se acaba apropiando da función. O volume final, O Encantado, arranca coma un festín hedonista, puro pracer visual e sonoro nunha Bagdad marsellesa de fantasía, para levarnos logo á Lisboa actual e alcanzar a cima grazas a unha galería excepcional de personaxes, a desarmadora comunidade de passarinheiros que impresiona e emociona pola súa dedicación en favor da beleza, polo seu amor e o seu compromiso. Foron precisas seis horas, mais a mensaxe calou fondo. Necesitamos beber soños como necesitamos beber auga, afirmou unha vez o escritor galego Álvaro Cunqueiro. Xerazade engadiría agora: mentres exista alguén que atenda o canto dos paxaros será posíbel a esperanza.

Martin Pawley. Versión galega dun texto escrito para o catálogo do FIC Valdivia 2015. En español, aquí.

mércores, 19 de agosto de 2015

Os filmes da condición humana

por Miguel Castelo

Pertencente ao distrito de Viana do Castelo e situada na comarca do Alto Minho, Região Norte, Melgaço limita ao norte e ao leste con Galicia, ao suroeste co municipio de Arcos de Valdevez e ao oeste con Monção. É a poboación portuguesa máis septentrional e está integrada por 18 freguesías. Melgaço, malia á súa pequena escala xeográfica (239,04 qm²) e o reducido número de habitantes (arredor de 9.500 no seu termo municipal, dos que 1.300 moran na propia urbe), mantén unha curiosa relación co mundo do cine, debido ao vínculo coa vila do documentalista, crítico e historiador Jean Loup Passek, trabado en París nos primeiros 70 por mor do seu trato con inmigrantes portugueses. Tal é así o seu afecto por Portugal e nomeadamente por esta vila minhota (onde mesmo hai anos comprou casa) que decidiu ceder ao municipio o seu amplo patrimonio, produto da súa intensa actividade profesional (innúmeras fotografías, cartaces, libros, documentos diversos, aparellos precinematográficos, etc.) para o que el propio escolleu o espazo do depósito, concretándose no museo que leva o seu nome, inaugurado en xuño de 2005. Ademais dun conservado centro historico, onde se ubica este museo, a vila conta  cunha ben dotada Casa da Cultura e outro espazo museístico, Memória e Fronteira (Histórias da História), monográficamente dedicado ao poliédrico fenómeno social do contrabando, práctica directamente vinculada coa zona nos anos 40 e décadas posteriores do século pasado, e á emigración local. Por estas razóns todas, esta capital foi escollida pola vianense Ao Norte, Asociação de Produção e Animação Audiovisual, como marco do Filmes do Homem, Festival Internacional de Documentário, que programa e organiza coa principal colaboración da Cámara Municipal.


Así que Melgaço celebrou este ano a segunda ou primeira, segundo se mire, edición de Filmes do Homem. A primeira, baixo o argumento dos propios organizadores de considerar a do ano pasado como un achegamento ao modelo de festival matinado, a xeito de experimento ou proba. Sexa como for, a deste ano celebrouse entre o 4 e o 9 deste mes e contou coa presenza de 25 filmes, dos que 19 (9 curtas e 10 longas) entraron na competición. Dezaseis foron os países participantes  -Australia, Portugal, Canadá, Suiza, Francia, Angola, EUA, Turquía, Chipre, Brasil, Italia, España, Perú, Reino Unido, Grecia e Dinamarca-, algúns deles en réxime de coprodución. Se ben o auditorio da Casa da Cultura, centro neurálxico do certame, foi o principal espazo de proxección dos filmes concursantes, outros lugares da contorna contaron coa presenza de filmes fóra desta sección. Así, as freguesías de Lamas de Mouro e Castro Laboreiro, no seu auditorio e centro cívico, respectivamente, e as de Cristóval (São Gregório) e Parada do Monte e o concello de Arbo, en Galicia, en sesións ao ar libre nas súas prazas principais, puderon tamén participar do festival. Así mesmo, na explanada da Torre do Menagem de Melgaço tivo lugar a sesión de “encerramento”.

Os movementos migratorios constituiron o tema arredor do que virou esta edición. De emigración e inmigración, acoso, maltrato e explotación laboral, da teimosía do retorno, de racismo e xenofobia, de aculturización, desarraigo, alienación e perda de referentes… e moitas outras infaustas derivas que atinxen ao fenómeno da diáspora versa o conxunto dos filmes que integraron o apartado estritamente cinematográfico do festival melgacense. O xuri internacional, constituido por Jorge Campos, Catarina Alves Costa, Jean Loïc-Portron, José Manuel Sande e Tiago Hespanha, decidiu conceder os recén instituidos premios Jean Loup Passek do seguinte modo:  Prémio ao Melhor Documentário (económicamente dotado con 3.000 €) a He Bu Tune Bu / Era unha vez, de Kazim Oz (Turquía), “pela forma como ficciona o real dando corpo, com apurado sentido cinematográfico, a uma narrativa que logra transformar os protagonistas curdos em personagems num contexto em que as relações pessoais e familiares interagem com o pano de fundo revelador, na Turquia de hoje, da existencia de relações sociais que perpetuam a servidão”; o Prémio á Melhor Curtametragem (dotado con 1.500 €) a Xenos, de Mahdi Fleifel (Palestina), “pela extraordinária energia humana e cinematográfica que irradia  das imagens criadas em torno da figura  de Abu Eyad e de outros refugiados palestinianos em busca de uma vida nova em Atenas, mas apanhados na armadilha de um país em colapso”; e o Prémio ao Melhor Documentário Português (dotado con 1.000 €) a Aquí tem gente, de Leonor Areal, “pelo retrato que faz da luta pelo direito à habitação dos moradores do Bairro da Torre, em Loures, muitos dos quais ciganos e africanos, bem como pelo destaque dado ao papel das mulheres e pelas questões que suscita”.

O Filmes do Homem, Festival Internacional de Documentário de Melgaço, 2015, estivo, a maiores das proxeccións, así mesmo conformado por unha serie de actos e actividades de especial interese:
Plano Frontal, Residencia Cinematográfica, actividade xa experimentada na edición anterior, axuntou a un grupo de alumnos de Escolas de Ensino Superior de Cinema e Audiovisual, coa súa formación recentemente concluida, que, conformados en catro equipos de tres (realizador, operador de cámara e operador de son), baixo a titoría de Pedro Sena Nunes e o apoio loxístico de produción e realización de Carlos E. Viana, Rui Ramos, Mário Gomes e Miguel Arieira, acometeronn a realización de pequenas pezas de carácter documental sobre historias locais, que, coa presenza dos seus autores, han ser proxectadas na vindeira edición, como nesta se proxectaron as realizadas o ano pasado.
Fora de Campo, espazo de reflexión e debate multidisciplinar, na área das Ciencias Sociais, Artes e Ciencias da Comunicación, arredor do tema Cinema e Migrações, coordinado por Jose da Silva Ribeiro e levado a cabo en colaboración con Universidades e Grupos de Investigação/Pesquisa de Portugal, Galicia, Brasil e México, configurou un numeroso encontro de intervinientes a contrastar teorías, opinións e criterios nunha permanente e estimulante contenda da lusofonía. Os brasileiros Jose Carlos Sebe Bom  Meihy e Zilda Marcia Grícoli Iokoi, os galegos Manuel González e María Yánez, e os portugueses Maria Beatriz Trinidade-Rocha e Manuela Penafria foron, entre outros, algúns dos participantes.
Nós por cá e por lá, exposición fotográfica coordinada por Daniel Maciel, ofreceu unha escolma de duascentas fotografías que presentan persoas e situacións na orixe e o destino do percurso migratorio, no seu momento realizadas co obxectivo de intercambio informativo e sentimental entrambas partes: o concello de Melgaço e Francia, neste caso. Once freguesías responderon positivamente á proposta, aportando máis de setecentos retratos, procedentes de setenta casas. Un discurso iconográfico, que, alén da súa condición preservadora da memoria local, supón un documento de valor histórico e cultural incalculable. A mostra dispuxo, no seu acto inaugural, dun tempo emotivo no que algunhas das fotos foron explicadas polos seus protagonistas. Así mesmo, estes protagonizaran con anterioridade pezas videográficas dedicadas a glosar as circunstancias do instante fotográfico,
a se proxectar incesantemente nunha pantalla da propia exposición.
E, finalmente, o Laboratório de Video, Cinema de Animação, obradoiro impartido por Graça Gomes, destinado a mozos de 14 a 18 anos.

Con todo, toda esta oferta cultural tería resultado distinta sen o clima de convívio que a acompañou. A tal contribuiron a excursión a Castro Laboreiro e aos seus puntos de información, e as visitas guiadas aos museos Jean Loup Passek -actualmente con Manoel de Oliveira como protagonista-, Memória e Fronteira, así como ao Solar do Alvarinho. Tamén axudaron, ademais da concorrencia dalgúns dos realizadores dos filmes presentados, as presenzas activas, en presentacións e mesas redondas, dos “cantores” Luis Cília e Sérgio Godinho (tan venerados polos galegos que en tempos pretéritos xa ollabamos cara Portugal), igualmente padecedores da emigración e o exilio e colaboradores en causas cinematográficas, de Carlos da Fonseca, activista, nos 70, coa súa muller Laurette Fonseca no barrio de Massy (Essonne) nos arredores de París, e Henrique Espírito Santo, un dos máis importantes produtores do cinema portugués das tres últimas décadas do século pasado.

No seu adecuado tamaño, Filmes do Homem, Festival Internacional de Documentário de Melgaço, 2015, evidenciou unha notable capacidade organizativa e sentido da estrutura. O salto, histórico filme sobre a emigración portuguesa a Francia (Christian de Chalonge / Francia, 1973) punteou, nas sesións especiais inaugural (Cristóval-S. Gregorio) e de clausura (Torre do Menagem), a edición. Outros dous filmes, Lorette et les autres / Laurette e os outros (Dominque Dante / Francia, 1973), e Souvenirs d´un futur radieux / Lembranzas dun futuro radiante (José Vieira / Francia, 2014) contribuiron a poñer de manifesto o poder testemuñal do cinema, o sentido cíclico da Historia e a recorrencia dramática dos movementos migratorios. Resulta angustiosamente revelador constatar como nas grandes barriadas do sureste de París permanecen talmente as chabolas, os chamados "bairros de lata", que nos anos 60 ocupaban os portugueses e agora habitan os rumanos; como o filme de Vieira (cineasta da emigración) incide hoxe, con milimétrica simetría, en espazos e situacións mostrados por Chalonge e Dante hai tres décadas. Nada semella ter mudado, agás a posibilidade de filmar a cor. A cor ou en branco e negro, os filmes que a primeiros de agosto chegan a Melgaço versan todos sobre a condición humana. Este é o desexo e o obxectivo dos organizadores deste encontro cinematográfico, Filmes do Homem.

xoves, 13 de agosto de 2015

Conversa sobre "Eco"

Xacio Baño regresou hoxe á competición internacional "Pardi di domani" do Festival de Locarno coa curta Eco. Por cuarto ano consecutivo hai un filme galego no festival suízo, despois de Arraianos (Eloy Enciso, 2012), Costa da Morte (Lois Patiño, 2013) e Ser e voltar (Xacio Baño, 2014). Sobre o novo filme de Xacio vai esta conversa entre Martin Pawley e Xurxo González.


Martin Pawley: Eco é moi sinxela, mais está moi ben resolta. Hai que destacar a valentía de Xosé Barato no manexo dos diarios da nai, que apuntan/desvelan frustracións e sufrimentos sostidos no tempo fáciles de extrapolar a moitas vidas de mulleres desa e doutras épocas. Gústame moito o final, cando as palabras perden xa toda posíbel inxenuidade. O eco é de amargura e de tristeza, mais tamén iso é vivir.

Xurxo González: Gustoume moito. Xunta moi bos recursos e distintas referencias que dan interesantísimos niveis de lectura. Barato foi moi valente. Esta é a curta de Xacio que me gusta máis.

MP: Eu diría que Anacos é máis perfecta mais esta é mellor. É bo pensar xuntos eses dous retratos femininos "in absentia" porque o eco no espectador é moi diferente. Anacos xera unha empatía inmediata pola vía da (triste) tenrura, porén Eco produce outras sensacións, entre elas a incomodidade. A nudez familiar afrontada por Barato deixa algo de mal corpo, non o digo nun mal sentido, antes polo contrario; está moi ben que sexa así. Penso que é nesa incomodidade onde está a virtude da curta.

XG: Xa, xa, son consciente. Mais eu dígoo coma Xurxo espectador e creador. Interésame máis este cine. Probablemente (oxalá me equivoque) non teña tanta acollida como Anacos, mais interésanme máis este tipo de propostas. Déixome levar polas palabras, polo recitado, quería saber que lle pasaba a esa muller. Creo que deixa ao espectador máis libre e iso a min encántame.



MP: Si, si, estou de acordo no que dis. Coma proposta é máis ousada e deixa máis liberdade ao espectador e iso faina tamén "menos festivaleira", non é a clase de curta que vaia gañar premios do público, para entendernos, xustamente porque evita suliñados, non fai explícitas as conclusións. Iso é unha proba de madurez tremenda coma creador. En certo sentido, Xacio está facendo un camiño inverso ao que é máis común no cinema: empezou xogando coa ficción de xénero e foi derivando ao "real". O bo de Eco é que a partir dunha forma canonicamente documental -a observación de algo, neste caso unha mudanza- extrae un relato, a historia dunha(s) vida(s); arma en sentido literal "um filme falado" e o de menos xa é a carga de verdade do relato, non importa se os diarios son reais ou falsos, porque a historia si o é en canto a que hai moitas historias así. Por riba do concepto orixinal está a construción do filme na súa forma final.

XG: A evolución de Xacio resulta patente, alégrome moito. Vaime quedar pena non producirlle a longa que estará ao caer. Se continúa nesa liña a longa será macanuda. Quédome coa parte final do que dis, esa capacidade de suxerir historia co mínimo suficiente. A min gústame esa lectura e ese recitado, sen chegar a formas radicais coma as de Straub. Lembroume lixeiramente O Cazador de Santos, mais a proposta é orixinal e anovadora, pasa do literario e afonda no cotiá onde todo o mundo pode verse identificado. Fai un convite ao espectador intelixente. Agardo que a xente saiba aprecialo.

MP: En Vila do Conde tiven ocasión de entrevistar a Miguel Gomes pola estrea d'As Mil e Uma Noites e nun momento da conversa falou da súa fascinación pola forma máis clásica da narración: alguén que conta unha historia. En Anacos a "historia" realmente quedaba fóra de campo, o que quedaba dunha vida era "o oco", a ausencia, unha sensación compartida por moitos espectadores. Eco funciona case ao revés, parte da ausencia, a despedida dunha casa que xa non serve a ninguén, e dela, ou do que queda dela, agroma un relato, un relato expresado por voces que ao mesmo tempo están a descubrilo. Páxina a páxina esa historia vai doendo e o pudor conduce ao silencio final, que é aínda máis elocuente.

XG: É que aí esta a chave do cinema contemporáneo. Moitas veces pénsase que a "perfección" está nunha narración en imaxes dunha historia á maneira literaria onde as imaxes e as palabras arróupanse unhas ás outras dunha maneira edulcorada. En Eco por un lado temos a recuperación dunha historia que chega a cristalizarse na atención e interese do espectador. Mais Eco vai alén do narrativo, ten algo de performático, de experiencia, de proceso. O espectador invade a intimidade ou, mellor dito, séntese participe dese momento, desas palabras, desas lembranzas, desas historias, desas lecturas. Iso que en gramatoloxía se contrapón: o mostrado e o dito. Este é un cóctel que me gusta, que me entusiasma. E outra cousa que xoga a favor de Xacio é o de ser consciente do terreo acoutado, do espazo, da escrita, das palabras. Elementos suficientes para materializar unha historia cunha chea de niveis significantes. Gratificante.

mércores, 24 de xuño de 2015

Tripla presenza galega no FIDMarseille

O Festival Internacional de Documentais de Marsella, mais coñecido como FIDMarseille, pasa por ser, segundo a crítica internacional, o festival de documentais máis importante do mundo. Anualmente esta cidade do Mediterráneo acolle unha das propostas máis arriscadas do panorama cinematográfico sen marcarse ningunha clase de acoutamentos. O FID acusa a perspectiva da alma do festival, o seu director: Jean-Pierre Rehm. Ao longo das 25 edicións realizadas ata o momento este evento converteuse nun excelente calidoscopio sobre os rumbos que está a tomar esta forma fílmica.

Á convocatoria anual do FID achéganse as propostas máis sorprendentes de todo o mundo e Rehm e o seu equipo son os encargados de seleccionalos. A súa escolma pon no mapa as obras máis singulares sen ter en conta a súa procedencia e a súa escala. A esta cita, a principios de xullo, da cidade gala acoden programadores e críticos de todo o planeta para esculcar con detemento a grella de programación. Un filme que se proxecta en Marsella pode ver asegurada a súa repercusión mundial pois alí nacerá con certeza unha máis que interesante vida polo circuíto de festivais internacionais.

A presenza do cinema galego non é estraña. O que se denomina Novo Cinema Galego empregou o FIDMarseille como altofalante para facerse visible e lexitimarse. Polas súas pantallas pasaron Vikingland de Xurxo Chirro en 2011, Electro-class de Maria Ruído en 2012 e VidaExtra de Ramiro Ledo en 2014. Mais na edición do presente ano vaise dar algo extraordinario: tres cineastas galegos estarán presentes no FID. Por un lado no FIDLAB, o encontro de financiamento, estaremos representados co próximo proxecto de Lois Patiño, Tempo Vertical. Nunha sección paralela teremos a mediometraxe de Alberto Lobelle Día da Victoria. E finalmente na competición á mellor ópera prima está o Jet Lag de Eloy Domínguez Serén.

Esta confluencia do Novo Cinema Galego dá moito que pensar. Por un lado hai que valorar que este tipo de cinematografía galega é unha das máis representadas polo que ten de risco, creatividade e calidade. Probablemente a cultura galega nunca sospeitou atopar nestes creadores os mellores embaixadores para facerse visible no mundo. E chegados a este punto precísase puntualizar se corresponde a esta potencialidade o escaso apoio que lle dá a Xunta de Galicia. Este Novo Cinema Galego puido existir gracias ás chamadas axudas de talento. Mais en 2012 se eliminaron e posteriormente volveron moi recortadas e alteradas na súa esencia.

Con esta análise ábrese unha serie de interrogantes á cal os actuais responsables da política audiovisual da AGADIC dan a calada por resposta. Por que non se apoia decididamente ao Novo Cinema Galego? Hai algún impedimento para pendurarse as medallas que consegue este tipo de cinema? Se avaliamos o apoio económico, os logros culturais e a repercusión internacional, por que non se re-pensa o modelo de axudas á produción cinematográfica? Se o Novo Cinema Galego ten que estar continuamente xustificando a súa existencia,  por que non fai o mesmo o cinema industrial galego? Que réditos culturais arrastra o cinema industrial galego? Onde existe maior internacionalización, cos logros do Novo Cinema Galego ou coas misións comerciais dos produtores?

É certo que este artigo non existiría se non se producira o éxito desta tripla presenza galega en Marsella, mais non cabe outra que, unha vez máis, sacar peito e reclamar maior xustiza con estes creadores que poñen Galicia no mundo. De maneira paradoxal nunca recibirán unha Medalla Castelao pola proxección internacional que fan da cultura galega mais o que nunca lle poderá negar ninguén, nin os máis oufanos na materia (que os hai), é o lugar predominante que ocupan no decurso da historia do cinema galego.

Xurxo González

luns, 22 de xuño de 2015

Proxecto NIMBOS: Trasfiguración (Manuel Álvarez Álvarez, 2013-2015)


Curtametraxe de Manuel Álvarez Álvarez para o Proxecto NIMBOS, serie de filmes inspirados nos poemas do libro Nimbos de Xosé María Díaz Castro, autor homenaxeado no Día das Letras Galegas 2014. Segunda versión elaborada na primavera de 2015 a partir de material gravado e editado en 2013.

Trasfiguración

Sinto ás veces as horas nos meus hombros
e digo que me pesan coma un reino.
Eu penso no teu Reino que no é deste
mundo, i entón párcenme as miñas horas
alas, Xesús, i escuma sobre a mar.

Nimbos, Xosé María Díaz Castro.
Poema reproducido da edición bilingüe publicada en 1982 por Editora Nacional, con supervisión e tradución ao castelán do autor.