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| Sérgio Coragem. Imaxe: sitio web auéééu. |
A miña idea é falar de dous temas. Do filme [O riso e a faca, Pedro Pinho, 2025], mais antes de falar do filme, gostaría de falar máis do teatro. Do teu traballo no teatro, de como chegas ao teatro, e en particular da vosa compañía, que polo que percibo, tedes sempre unha orientación moi política nas obras que facedes.
O movimento politico da nossa companhia começa no primeiro pelo gesto, porque é um coletivo, sem hierarquias, e tentamos que o nosso trabalho seja o resultado de um conjunto de decisões que é tomado sempre com muita discussão, muita conversa, e em coletivo. E, portanto, avançamos um pouco em bloco, em todas as frentes. Na produção, na cenografia, na encenação, e vamos ajudando uns aos outros a construir os projetos de teatro e as encenações, muito a partir desse olhar próximo, um olhar pelo outro, quase uma solidariedade constante entre atores, de modo a conseguirmos alinhar aquilo que queremos fazer e de modo a conseguirmos decidir sempre com uma voz coletiva. Por exemplo, nós não acreditamos muito no voto, então não votamos nunca decisões, nunca há decisões por maioria. Pode haver uma decisão por desistência dos outros, ou por cedência dos outros, ou de nós, quando são mais difíceis de tomar, mas nunca votamos. O voto é um caminho muito curto, e muitas vezes, neste tipo de decisões, o voto pode ser precipitado também. Então, logo aí há uma série de gestos políticos que nós propomos a nós próprios, e depois nos espetáculos também, com o público. Desde logo gostamos de incluir o público nos processos de criação, porque abrimos conversas públicas durante o tempo de ensaios, e vamos conversando com o público também de uma forma a conseguir ter já um olhar exterior antes de apresentar o espetáculo. Usamos muitas vezes estas conversas como inspiração, para pensarmos também, além das nossas ideias pré-concebidas e das nossas cabeças, como elas funcionam, então o público começa cedo a fazer parte dos nossos projetos. E depois apresentamos um objeto, que muitas vezes é inacabado, cheio de falhas, com uma linguagem sempre à procura da experimentação. Acreditamos também nesse método de criação, que é a partir muito da experiência constante de novas propostas, no fundo, ideias que nos vêm, não temos uma linguagem, a nossa linguagem acaba por ser essa do erro assumido, do diálogo às vezes muito confuso entre nós, das nossas ideias que muitas vezes estão em conflito, porque como é óbvio somos todos diferentes, vimos de lugares diferentes, e portanto a nossa proposta é sempre um pouco assim (...)
Martin Pawley. Podedes ler ou ouvir a entrevista completa no sitio web da revista Quiasmo. Artes, letras e ciência.

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